17 de março de 2015

O estranho caso da chave saltitona*

Capitulo um - Calma com o Andor
Capitulo dois - Dúvidas cor de Rosa
Capítulo três - A Mais Picante
Capitulo quatro - Mirone
Capitulo cinco - Pasme-se quem Puder

CAPÍTULO VI

A Avenida da Igreja acordou em sobressalto.
Um enorme e invulgar estrondo, que se ouviu para lá do INATEL, fez saltar os moradores da cama, que aquela hora ainda dormiam.
Cabum!!! 
E o som ensurdecedor ressoou pelas recantos adormecidos da Avenida, como se de repente um anjo muito gordo tivesse caído do altar.
A pouco e pouco, os estores corridos nas janelas, começaram a abrir-se um a um e várias cabeças curiosas se assomaram para ver o que se passava.
A visão era dantesca. 
As senhoras mais recatadas, religiosas ou púdicas, foram obrigadas a recolher-se aos seus aposentos, temendo represálias do padre Henrique, ou infernais eternidades, dando gritinhos histéricos e abafados pelas maõzinhas impías.
E por todo o casario que se entendia até ao fim da Avenida, a onda de choque foi atingindo famílias  de bem inteiras, debruçadas nas varandas, tentando, algumas em vão, descortinar a cena que ali juntava  tanta e tanta gente.
As crianças dos colégios muito caros, mas muito bons, levadas pela mão das avós maternas, a caminho da missa das 9, obviamente compostas nos seus laçarotes de bolinhas e meias de lã repuxadas até aos joelhos, apesar do frio gélido que se fazia sentir, largaram a correr para o local - rompendo uma educação esmeradíssima onde é totalmente proibido correr - e onde já se agigantava uma onda de gente. 
E a curiosidade reprimida durante anos nas crianças da Avenida, furou por entre a multidão de pescoços muito esticados, pernas muito depiladas, malas Pipa Coco, cãezinhos minúsculos e patéticos, ora envergando caxemiras, ora usando gravatas, indo estancar na clareira, nas boquinhas muito abertas, perante uma cena digna da melhor animação da Dreamworks, ali mesmo à sua frente, e justo em cima do carro da noiva.
Com efeito, um bairro inteiro reunido ao redor de um ex-Ford Cortina vermelho, preparado cuidadosamente pelo vizinho de Maria, pai de Elisinha, desde que se tinha anunciado o noivado na noite da Consoada, estava completamente despedaçado pelo peso do pecado.
Na Avenida da Igreja.
O noivo João, agora bígamo João, jazia nu, com uma chave misteriosa atenxada no rabo, agarrado a uma desconhecida, igualmente nua, que se tapava atabalhoadamente com um grande gato bêbado, que revirava os olhos e dizia miuaaaaaauuuuuu, esticando muito o pescoço.
Foi um espetáculo deprimente.
Aquela hora da manhã, num sábado frio de Março de 2015, onde à porta da igreja e vindos de todos os lados, sobretudo da Quinta da Marinha, do Lago, e de Cascais, se juntavam os primeiro convidados do casamento da Elisinha e do João, jazia agora, em cima de um tejadinho amolgado, o sonho de toda uma Avenida.
João já não casava nesse dia, e a noiva em pranto, que fora arrancada do sonho ainda com os rolos na cabeça, saiu disparada de casa, sem comer o seu pequeno almoço take away, delicioso, e correu louca para o local do crime, onde arrancou com um violento movimento, a chave do rabo de João, não sem antes espetar um valente estacasso em Maria, que faz assanhar o gato deixando assim à mostra a grande cicatriz no olho...

A última cena assistida pelo bairro outrora calmo, é uma noiva maluca, a correr Avenida fora, com uma chave nojenta na mão, até ser abalroada por uma carroça de ciganos que por ali passava a caminho do Estádio do Spórten, carregadinha de febras e entremeadas, naturalmente fora de prazo.

*NÃO PERCAM O TRAILER de apresentação da Palmier Encoberto e não deixem de acompanhar mais um episódio aqui, na Kiss and Makeup! e aqui no Amor Autista!
E já temos Capítulo nono no Talqualmenteoutro.
Quem dá mais?

60 comentários:

  1. :DDD

    Quem diria, o sonso do João levou uma vida dupla aquele tempo todo, partilhava o leito com a Maria e prometia casamento à Elisinha. Como é possível, meu Deus, em plemo seculo XX! ainda cair na cantiga do malandro?! Pobre Elisinha...

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    1. ;) Era tramado o João. Mas a sua honra ficou para sempre perdida na Avenida. Acho que vai ter de emigrar.

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    2. Que a Elisinha tenha caído na conversa do João, ainda vá que não vá, menina ingénua de boas famílias, educada para casar cedo, no auge do período reprodutivo, e receber com alegria os filhos a quem poria o nome dos avós e dos santos da sua devoção... Mas a Maria, senhora de si, mulher decidida, que sempre soube o que queria (a ver se a greve de sexo não surtiu efeitos? Ah pois é, nunca mais estendeu roupa na corda), como é que a Maria aceitou a ideia de poder ser "a outra"? O que lhe terá dito/feito o João para ela alinhar nisto?

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    3. Tu queres ver que o João tinha dívidas de jogo? Que afinal não era segurança no Vasco da Gama, passava mas era o tempo todo a torrar o guito na Casino Lisboa? Que se meteu com um agiota sem escrúpulos e tinha a cabeça a prémio se até ao fim do mês não arranjasse o dinheiro? Que o casamento com a Elisinha era só um esquema para dar o lendário golpe de baú e sacar o dinheiro ao forreta do sr. Dias?

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    4. A Maria era uma tancinha. Não sabia de nada. Foi outra engrupida na conversa do João.
      Raparigas enfermiças agarradas às missas, é no que dá.

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    5. Pois é, só quem está no convento sabe o que lá vai dentro. Enganou-me bem, aquele João. Agora pergunto, quantas mais mulheres enganou aquele D. Juan de trazer por casa?

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    6. Não sabemos. Só a próxima a pegar na história por desvendar!

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  2. Ahahahahah
    Ahahahahah
    Ahahahahah
    Chave nojenta enfiada no rabo?
    Ahahahahah
    Ahahahahah
    Ahahahahah

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    1. Não percebes nada disto pah.
      A chave que a noiva arrancou do rabo do noivo é que estava nojenta... pois claro.
      Então havia de estar como?
      Hahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

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    2. Mas porquê que não pode ser um rabo lavadinho?
      Ahahahahah

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    3. Mas como um rabo lavadinho? Se estavam há três quinze dias fechados numa sala???
      Andavam a lavar-se com gin, queres ver?

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    4. Claro. E depois limpavam-se ao cortinado.

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  3. Só podia passar por aqui mais um capitulo :D
    E a continuação foi para onde? Estou curiosa (e farta de rir à gargalhada) :)

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  4. Quero ver quem é que bate isto....

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    1. Isto assim é super divertido. Gosto muito.
      Avanças?

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    2. Be, tens a batata quente na mão. És uma mulher ou uma rata? Decide-te, a Elisinha foi abalroada por uma carroça de ciganos, alguém tem de a acudir antes que seja tarde. E o casal desnudo, vai ficar ali em exposição? Há ali crianças, por Deus, alguém tem de fazer alguma coisa.

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    3. E as entremeadas não tarda desaparecem todas. Já se sabe que aquilo ali em Alvalade é só gente garganeira.

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    4. Eu vinha aqui dizer que depois deste texto a Palmier ia ter um pouco de dificuldade em arranjar um actor que se prestasse a atenxar uma chave no dito cUjo. Entretanto reparo que me passaram a batata quente. Se a Margarida não aceitar, eu aceito o desafio mas tem de ser à noite porque agora é suposto estar a trabalhar e o boss não tarda, aperta-me os calos.

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    5. Mas que mal te pergunte: que raio de chefe é esse que te OBRIGA a trabalhar hum???
      Isso não será caso para greve?

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    6. Ele não me obriga a trabalhar, obriga-me a apresentar trabalho!!, Espreita-me pelo canto do olho (trabalhamos juntos) quando me topa a debitar muita letra no PC, sem nada que o justifique e pede-me, por exemplo, para lhe mandar um email. É assim que me diz "Estás a abusar!!"

      Mais logo apresento trabalho aqui na blogosfera.

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    7. Agora é que me tramaram, eu com o post preparadinho e pumba, a história segue noutro sentido.Não consigo encaixar lá nada do que escrevi. Fica para a próxima....

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    8. Qual quê Be! Publicas sim senhora! São multiplos finais! Dá-lhe! Eu atualizou aqui o estaminé!!!

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    9. Aliás estou em pulgas para ler! Tu não me deixes nesta impaciência!

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    10. Feito, nem precisas alterar nada, tive uma ideia de quase génio ;)

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  5. Ahahahahahahahah ahahahahahahahah ahahahahahahahah ahahahahahahahah ahahahahahahahah ahahahahahahahah oh pah... Oh Uva.. Ahahahahahahahah vós sois impossíveis... a elevar assim a fasquia é preciso ter muita coragem para seguir com isto... Muito, muito bom... :)))

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  6. Pela primeira vez estou aqui a comentar e é para lhe dar os parabéns. Está genial este capítulo!

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    1. Olá Pê! Obrigadinhos.
      Estão todos ótimos, na verdade.
      Vocês todos, que vão de alguma forma acompanhando, é que fomentam a criatividade.
      Ainda bem que gostaste.
      Isso é o que interessa.

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  7. Eu venho só aqui dizer que a Palmy não continua, ela "só" fez o trailer.
    Alguém tem de continuar....

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  8. TOP! Nobel para a Uva já! Depois disto quero ver quem se atreve a salvar a Elisinha! (Aposto que o pai da Elisinha vai fazer um sprint atrás do João, avenida abaixo!!!)

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    1. Guida, só depende de ti saber se o Dias vai fazer um sprint na Avenida da Igreja. O desafio está lançado, podes ser tu a definir o destino da Elisinha.

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    2. Então mas não era a Be? Está a fazer jogo duplo Mirone?

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    3. Qual jogo duplo, Margarette?! A Be ainda não disse que aceita. Isto é como as pombinhas da cat'rina, uma é minha, outra é tua, outra é de quem a apanhar. Se a Be não se decidir haverá quem se decida.

      (há quantos meses te ando a dizer para me tratares por tu?)

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    4. Hahahahahahahaha Mirone. Pobinhas da Cat'rina!! Haja quem as apanhe!
      A Margarida é da Av. da Igreja. Trata toda a gente por você-sei-lá.
      Faz parte do protocolo.

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    5. Tu queres ver que é a própria da Elisinha (Elisa Margarida)? Será a Maria (Maria Margarida)?
      Daisy, chega aqui um minutinho. Acho que tens umas explicações a dar. :))))))))))))

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    6. Querem mas é um relato na primeira pessoa!!! (A menos que o João seja um João Maria...)

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  9. Eu tenho p mim o ford cortina estava "quitado". E tinha um íman no tejadilho, vai daí, teve um efeito magnético e puxou a chave. (Ou entao estou sobre o efeito do visionamento recente de parte do X-men. Mas por acaso se o João calha em ser o magneto esta tragédia tinha sido evitada. Espera, na volta n era o ford...se calhar a elisinha tem o magneto como admirador secreto e o gajo quis desmascarar o joao!)

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    1. Wow, Me... talk about imagination :DDDDD

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    2. É obvio que estava quitado! Alguma vez um Ford Cortina se aguentava com dois marmajos em cima, só com o tejadilho amolgado?

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    3. Mirone, disparate, perdão, imaginação é coisa q n me falta hehe. Mas justiça seja feita, os vossos capítulos n se ficam atrás :)

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  10. Uva, ainda bem, que deu a conhecer a historia do João, pois ja estava a dar-me o fanico, por "As senhoras mais recatadas, religiosas ou púdicas", não terem chamada a RTP/SIC/TVI, para noticiarem ao mundo, o tamanho do naperon, a cor da renda, como também o feitio da chave e claro "acoitarem" a pobre Maria vai com todos, pois ela, é com toda a certeza, a culpada de todos os pecados do João!
    Obrigada uva :)

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    1. Os culpados são SEMPRE os ciganos, Nina, sempre!

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    2. Ai as "Febras e as entremeadas"!!! Todos os Santos, que nos livre de tal coisa - Ámen

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  11. Acho que vou mostrar este texto
    a uma tia, que morava nessa Avenida
    e agora mora
    na Quinta da Marinha
    e também não gosta dos ciganos
    e tinha uma paixão
    por um gabiru chamado João.

    Pode bem ser ele, ou não!

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    1. Talvez seja Roger.. gabiru é a cara do João!

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  12. Conclusão: Há cus muito espaçosos! (Será que guardava lá mais qualquer coisa?)

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  13. EHEHEHEHEHEHEHEH. És a maior Uva! Mas eu estou com a Maria Eu. Soubessem os ciganos de tal cú espaçoso e esconderiam lá as febras, a entremeada e tudo até a polícia passar. E com jeitinho ia noiva, carroça, os burros e tudo. Mas... assim acabava a história.... Nã, ah! A Maria, sempre as Marias :))

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    1. HAHAHAHAHAHAHA
      Sou a maior aqui deste Rule of Law, tenho 1.74m.

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