25 de setembro de 2014

Doida por cadeiras!

A inspiração para escrever é algo que não se explica.
A pessoa pode estar em frente ao espelho do quarto a pintar as pestanas, pode estar de volta dos atacadores dos sapatos, toda curvada em cima da barriga, pode estar a lavar uma pecinha de roupa, ali de volta do colarinho, pode estar à janela a ver a chuva lavar a roupa toda, outra vez, ou pode estar como eu estou, há cerca de dezoito horas a furar papeis, e a pensar que se aqui fico sentada mais um minuto, das duas uma, ou fico (um pouco mais) maluca, ou o rabo vai completamente quadrado para casa, o que é no mínimo desconcertante, sobretudo para quem... bom.
Avancemos.
O meu pensamento, outrora meticuloso e perfeccionista, completamente a marimbar para as dores do corpo, da alma e de tudo o que trago comigo cá dentro, fazia tarefas monótonas e suplicantes como quem faz a maratona noturna de Lisboa, com o caga-lume na testa.
Com alegria, vigorosidade, velocidade, enfim, correndo pela cidade qual super-secretária-bip-bip perfeita e humilde.
Mas hoje, contrariando esses tempos áureos, em que nada me fazia distrair do trabalho (que liberta?) a minha atenção focou-se noutra coisa, digamos que, completamente simplória, nada comparada às iluminadas epifanias ou às intrincadas redes que se estabelecem, sublimes e perfeitas, no meu elevado conjunto de neurónios. 
- Doem-me as cadeiras!
Pudera, estás sentada há dezoito horas, estúpida!
Cadeiras, cadeiras, cadeiras.
Uma súbita inspiração regou-me a alma murcha e levou-me a este maravilhoso post com que vos presenteio.
Mais um.
Sou doida por cadeiras, e já disse ao meu chefe que vou deixar o cargo de Secretária, porque na verdade, as mesas não me dizem nada.
Assim sendo, venho aqui hoje, depois de furar oitocentos milhões quinhentas mil e cinquenta e duas folhas, mostrar-vos o que realmente me interessa.
A mim e à minha única (mas esforçada) sinapse de hoje.

Bem vindos (mais uma vez) ao meu delírio.
Sentai-vos.
A casa é vossa.
 




 










2 comentários:

  1. Quando o meu avô morreu, há mais de 2 anos, pedi à minha mãe se podia ficar com duas cadeiras de braços que eram dele. Ando desde então para as mandar estofar. Uma vergonha, bem sei. Amanhã vou procurar um estofador.

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    1. Foi precisamente pela mão de um estofador que me nasceu esta paixão por cadeiras.

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